O psicanalista esperava pela resposta do paciente
O paciente, porém, estava cansado de pensar.
O único que sabia é que havia sonhado com trovões.
“Que diabos estou fazendo aqui?
Não lhe direi mais nada;
em primeiro lugar porque não tenho vontade,
em segundo lugar porque não tenho nada a dizer.
Que estará pensando ele sobre o meu silêncio?
Acho que vou embora…
Mas que saco, por que ele não diz nada?
E afinal, se ele não diz, por que tenho eu que dizer alguma coisa?”
O psicanalista esperava pela resposta
“Não preciso contar tudo; afinal, isto aqui não é um confessionário!
Por outro lado, também nada me impede de falar;
Ele é confiável, é um amigo.
– Não, não é um amigo: é um profissional.
– Não! Não é um profissional, é um sádico!”
O psicanalista esperava
“Onde estou? Quem sou eu?
Por que é que ele não fala?
E por que é que ele nunca responde, só pergunta?
Droga, preciso sair daqui.
Aliás, pensando bem, sempre saio pior que quando entro.
É, não vale a pena.
Por que é que ele espera tanto?
Afinal, quem é esse cara aí na minha frente?”
O psicanalista
O paciente tira do bolso um revólver
e o aponta para o psicanalista.
O psicanalista dorme (estava cansado de pensar).
O paciente espera.
Cansado de esperar, se mata.
(O psicanalista sonha com trovões)
Alberto Heller


3 Comentários. Deixe novo
Muito triste esse fim… ainda bem que o psicanalista dormia… e muitas horas para pensar depois que acordar!
Era revólver de espoleta, fique tranquila!
Que bom!!! Pensei que fosse de verdade!! Kkkk!! Assim melhorou! Kkkkk!!!