Qual a melhor maneira de esconder ou perder algo? No excesso. Na bagunça das pilhas que se amontoam.
Chamaram nossa era de ‘era da informação’. Está tudo aí, disponível, basta acessar. Por isso não mais memorizamos, não mais decoramos (do latim cor: coração). Na avalanche diária de informações (importantes, bonitas, poéticas, profundas, divertidas, bacanas etc.), algumas vamos salvando (nos mil Pen Drives e HDs externos), outras perdendo (ou seja: não mais guardamos no coração). Mas mesmo as que eventualmente salvamos… onde estavam mesmo? Em qual pasta? E quando lembrarei que ali havia algo importante? Esquecemos de ter de nos lembrar.
Consumimos. Incessantemente, consumimos informações, novidades, escândalos (as “notícias”), urgências. Postamos e lemos diariamente coisas nas redes sociais que, no máximo em 48 horas, serão esquecidas. Na maioria dos casos, isso é ótimo. Mas e quanto às coisas que realmente podem fazer uma diferença em nossa existência? Salvamos “para depois”. Um depois no qual absolutamente não nos lembraremos que salvamos algo (e, mesmo que cheguemos a nos lembrar, talvez não consigamos localizá-lo em meio ao oceano de arquivos perdidos).
Alberto Heller

