Da janela do trem
observo a chuva;
fico vendo como ela chove,
molhada,
unindo languidamente
o céu à terra:
uma escada d’água
pela qual meus pensamentos sobem
nadando
e escorregam de volta,
molhados.
O trem se move,
a chuva chove;
a terra bebe,
eu adormeço.
A chuva entra pela janela
e molha meus sonhos.
À minha volta peixes dourados lêem jornal
enquanto o polvo dirige a locomotiva.
Não tenho vontade de ler o jornal:
relaxo e contemplo a paisagem.
relaxo e contemplo a paisagem.
Alberto Heller

