Talvez seja o fato de eu ser geminiano com ascendente em peixes (ambos duais – sinto-me quádruplo, quando bebo viro oito) que me faça ter certas dificuldades com as polarizações. Percebi isso novamente esta semana em função dos debates políticos no Brasil: você é de direita ou de esquerda? Sinceramente, não sei; tem dias e situações em que me inclino para um lado, dias e situações em que me inclino para o outro. Serei um mero oportunista? Carecerei de valores mais profundos? Me faltará clareza política? Talvez. Escrevi outro dia que prefiro uma boa esquerda a uma má direita e uma boa direita a uma má esquerda. Pareceu uma frase inteligente no momento, mas depois fiquei preocupado se ela não é antes um indicativo de que estarei apenas flutuando à deriva e sem rumo certo, sendo levado pelos acontecimentos de maneira inconsciente e aleatória.
Bom, talvez eu seja de “centro”, nem de direita e nem de esquerda. Um “moderado”. Mas existirá isso? Ou será apenas um eufemismo, uma palavra elegante que substitui covardia ou indiferença? Nas filosofias e tradições milenares do Oriente (Budismo, Tao) há a recomendação em relação à importância do caminho do meio, do caminho da moderação. Mas tal “meio” não é um lugar específico e sim um modo, uma maneira do caminhar – afinal, posso ter uma postura moderada estando na esquerda, na direita e no centro. Ou não. creio que no fundo tenho certo medo daquela passagem da Bíblia (Apocalipse 3:15,16) onde se lê “Conheço as tuas obras: que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e não és frio nem quente, estou a ponto de vomitar-te da minha boca“. Serei morno?
Canso-me de pensar e assalto a geladeira (a vida moderna impõe demasiadas distrações como que para pensar tais questões a fundo – penso, logo desisto…). Creio que (novamente) ficarei com John Cage: “Indo em diferentes direções a gente consegue, em vez de separação, um sentido de espaço“. Viva o espaço!
Alberto Heller


1 Comentário. Deixe novo
Lumen ad Viam