Esse é o título de um dos mais famosos contos de Jorge Luis Borges. Trata-se, o tal livro de areia, de um livro mágico: cada vez que é folheado, transformam-se-lhe as páginas (cuja numeração é completamente arbitrária) e seus conteúdos – é, portanto, infinito. Aquilo que for lido/visto deve ser muito bem apreciado, pois nunca mais retornará. Ao longo do conto, o livro é chamado de impossível, de monstruoso, um objeto de pesadelo, uma coisa obscena que infamava e corrompia a realidade. O proprietário dessa estranha obra, que tenta vendê-la ao narrador da história (desfazer-se da maldição seria mais apropriado), explica a certa altura: “Se o espaço é infinito estamos em qualquer ponto do espaço; se o tempo é infinito estamos em qualquer ponto do tempo“. O livro e a areia (e o espaço e o tempo): infinitos. O narrador faz negócio e adquire o tesouro (paga-o com sua aposentadoria e com uma bíblia antiga). Com o passar do tempo, percebe que enlouquece; desfaz-se então do volume escondendo-o entre os milhares de livros da Biblioteca Nacional.
Devo tê-lo encontrado, sem querer: seres amados têm se ido para não mais voltar; coisas que faziam sentido deixaram de tê-lo. Em compensação, outras coisas apareceram, outros sentidos se formaram. O livro é realmente fantástico e inesgotável.
Alberto Heller

